Se você quer entender a geopolítica de 2026, esqueça os tratados de Genebra e estude os contratos de locação do Queens nos anos 80. Aprenda mais uma lição de negociação de Trump – agora em Davos!
A maioria dos profissionais de alto nível está presa em um paradigma de negociação do século XX: a busca por um “meio-termo” educado. Enquanto isso, em Davos, Donald Trump – o eterno corretor do Queens que não joga para ganhar o argumento, mas para recalibrar a realidade do oponente – acabou de demonstrar por que o método tradicional está morto.
O que o mundo leu na capa dos mais renomados meios de comunicação como um “recuo” foi, na verdade, a fase de extração de valor de uma “negociação de reféns” de escala global.
O mandatário americano nunca deixou de ser aquele corretor imobiliário astuto que entra na sala, coloca os dois pés no peito do proprietário fragilizado, ameaça tomar o prédio usando a força e, depois de ver o pobre coitado suar frio, oferece um “acordo amigável” onde ele fica com a chave, o depósito e o controle da garagem.
Mais que isso? ele passa a poder usar o imóvel sem custos, como se fosse seu, além de estar desobrigado de pagar o imposto pela propriedade – o famigerado IPTU.
Ou seja, pode desfrutar de forma exclusiva, mas não tem os custos associados da posse. Um sonho, né?
Em resumo: O que vimos em Davos não foi um recuo diplomático; foi a conclusão de uma venda de luxo.
1. A âncora de choque e a desestabilização cognitiva
Repare na dinâmica: Trump começou pedindo a Groenlândia inteira — uma âncora de choque tão pesada que fez o eixo da Terra inclinar para a direita. A Europa gritou, a Dinamarca chorou e o mercado tremeu.
Ao colocar os “dois pés no peito” da Dinamarca e da UE, ele ativou o que Chris Voss chama de inundação amigdalar. O oponente para de pensar em “lucro” e passa a pensar em “sobrevivência”.
O fato: Uma vez que você está preocupado em não perder a sua soberania (ou o seu emprego), acaba aceitando entregar os seus recursos (o seu tempo, bônus, etc) como forma de alívio.
E então, como um mestre do ilusionismo, ele dá o “passo atrás” que os meios de comunicação noticiaram: Ele diz que vai retirar as tarifas e informa que não considera uma ação militar. Nesse momento, o oponente não se sente vitorioso; ele se sente salvo.
Dessa forma, está aberto o campo para que o corretor dê o bote final.

2. Empatia tática e o “Não” produtivo
Chris Voss defende que o “Não” é o início da negociação, não o fim. Trump deu à Dinamarca a ilusão de controle. Ao permitir que a Primeira-Ministra Mette Frederiksen dissesse “Não” à venda da ilha, ele removeu a resistência defensiva dela.
Uma vez que o oponente se sente seguro por ter mantido sua “honra” (a soberania), ele baixa a guarda. É aqui que Trump introduz a ideia de pergunta calibrada: “Como podemos garantir que a China ou a Rússia não controlem o Ártico sem que os EUA tenham acesso total?”.
O resultado? Bem, como reportado pela VEJA, foi o “Acesso Total”.
Saldo da manobra? A Dinamarca ficou com a bandeira (a posição), mas Trump ficou com os minerais e o controle de acesso / militar (o interesse).
Em troca de “proteger a OTAN” e de “não destruir a economia europeia”, Trump sai de Davos com aquilo que desejava.
Ele não precisa mais comprar a ilha e lidar com a burocracia de governar groelandeses, pois conseguiu o que realmente importa: o acesso aos minerais de terras raras e o controle militar do Ártico.
Trump “vendeu o sofá”, mas garantiu o direito de dormir nele sempre que quiser, enquanto a Dinamarca ainda paga a conta da limpeza.
3. Cuidado com o blefe: Não tente sem um “paraquedas“
É aqui que a maioria dos amadores se estatela no chão. Ver Trump ‘colocar os dois pés no peito’ da Dinamarca e sair com as chaves do Ártico é inebriante, mas há um detalhe que o terno bem cortado de Davos às vezes esconde: o poder de fogo por trás da gravata.
Ancorar no Ártico quando você não tem nem um cubo de gelo no congelador não é estratégia, é suicídio profissional. Chris Voss chamaria isso de ‘falsa autoridade’. William Ury chamaria de ‘blefe mal feito’. Eu chamo de falta de noção.
Trump só pode recuar das tarifas porque ele tem as tarifas. Ele só pode desistir da invasão porque ele tem o exército. Sua ação na Venezuela deu mostras disso.
Se você vai entrar na sala do seu chefe exigindo a presidência para conseguir um bônus, certifique-se de que, caso ele diga ‘não’, você tenha para onde ir — ou que a empresa sangre se você sair.
A ‘ancoragem extrema’ exige o que chamo de escudo de saída. Se você não for insubstituível, ou se não tiver um concorrente batendo à sua porta, o seu ‘pé no peito’ vai encontrar apenas o vácuo. E, no vácuo das corporações, o único som que se ouve é o da sua demissão.
Portanto, antes de brincar de ser como o ‘Corretor do Queens’, faça um inventário do seu arsenal. A ponte de ouro que você oferece ao seu oponente só funciona se ele souber que, do outro lado da ponte, você tem um canhão apontado para o jardim dele.
4. O raio-x da crise: Do caos à bonança
A autoridade de um negociador de elite vem da sua capacidade de conectar pontos invisíveis. Trump não isolou a Groenlândia. Ele usou a fragilidade financeira e de defesa europeia, bem como o receio de uma nova onda de ações militares americanas, para pintar um cenário de caos onde apenas o seu “acordo” trazia ordem.
Para o profissional que se sente estagnado na carreira, a lição é clara: Sua estagnação é fruto da sua previsibilidade.
Enquanto você negocia apenas o que está na mesa, um negociador de elite traz a crise externa para dentro da sala para aumentar o seu poder de barganha.
5. O framework do “Acesso Total” para profissionais de elite
Em um ambiente competitivo, se você deseja sair da inércia técnica e assumir o comando estratégico, comece aplicando o que chamei de “tríade de Davos”:
a) Ancoragem extrema
Não peça um ajuste. Peça uma reestruturação que pareça “perigosa” para a organização. Oculte o seu objetivo real atrás de uma demanda muito maior.
b) O recuo como movimento planejado
O seu “recuo” para o plano original deve ser vendido como um sacrifício pessoal em nome da parceria. Transforme o seu objetivo em um favor que você faz ao outro.
c) Gestão de interesses (“Teoria do sofá”)
Pare de brigar por títulos. Títulos são vaidade (a soberania da Dinamarca). Brigue por Acesso e Exclusividade.
Você não precisa ser dono do sofá, precisa apenas garantir seu uso exclusivo. Afinal, quem controla os recursos controla o jogo – não importa quem assina os despachos.
6. Resumindo: Tudo caminha para mais uma mission accomplished
A Groenlândia não foi vendida, mas ao que parece foi entregue. Os interesses americanos, assim, estão assegurados.
Trump provou que você pode ser o dono do prédio sem pagar o IPTU, desde que saiba como sequestrar a percepção (no caso, de segurança) do proprietário.
Na sua carreira, a pergunta não é se você tem competência técnica — isso é o mínimo esperado. A pergunta é: você tem a audácia e cacife para ‘ancorar no Ártico’ e conquistar o que deseja no escritório (e na vida)?
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