No cenário atual, a transição de poder na Venezuela apresenta um abismo entre o “Poder Moral” e o “Poder de Fato”. Para entender por que a oposição ainda não sentou à mesa principal, precisamos entender a estratégia de negociação por trás do caos.
No mundo ideal, a justiça e o voto popular seriam os únicos convites necessários para o banquete do poder. No entanto, a partir da experiência histórica de medição de conflitos (da Chechênia à Colômbia), emerge uma verdade incômoda: não se negocia primeiro com quem tem a razão, mas com quem tem as chaves.
O dilema da utilidade: O caso Delcy Rodríguez
Muitos se perguntam por que figuras do regime atual continuam sendo interlocutores centrais. A resposta não é simpatia, mas a continuidade administrativa.
No jogo da negociação política, a “utilidade” é uma moeda valiosa. Rodríguez representa o controle sobre o petróleo e o sistema bancário. Em qualquer transição política, evitar o vácuo de poder é a prioridade número um para impedir uma guerra civil.
O peso da força: Onde os votos perdem para fuzis
Maria Corina Machado e Edmundo González possuem a legitimidade junto ao povo. Contudo, em uma fase de choque como a atual, os fuzis pesam mais que os votos.
O regime vê na oposição uma ameaça existencial. A crise na Venezuela exige que se “construa uma ponte de ouro” para que o adversário possa recuar sem ser aniquilado. Sem uma saída honrosa para quem detém as armas, o impasse persiste.
As 3 fases da transição política
Baseado nas táticas de Forças Especiais e nas melhores práticas sobre Resolução de Conflitos, toda mudança real de regime passa por três etapas obrigatórias:
- Controle do Caos: Negocia-se a segurança com quem controla as armas;
- Reacomodação: Entram os técnicos e civis para remontar o Estado; e
- Legitimação: É o momento das figuras populares e das eleições validadas. Tentar pular para a fase 3 sem resolver a fase 1 é como convocar eleições no meio de um incêndio florestal.
Caminho para a paz: A “Ponte de ouro”
Entendo que, para que a paz na Venezuela ocorra, a oposição precisa conter seus ânimos e aplicar a “diplomacia de saída” para o regime atual. Isso envolve, dentre outros pontos:
- Garantias de Sobrevivência: Transformar a derrota em uma retirada segura (imunidades) para os diversos escalões do governo que sai;
- Incentivos para a Dissidência: Oferecer aos militares um lugar em uma futura democracia estável; e
- Mediação Neutra: Apostar no papel de países terceiros para garantir que o acordo seja cumprido.
Otimismo emocional: um risco concreto
Acreditar que a queda de um regime traz os “bons” no minuto seguinte é um erro estratégico. Isso deve estar claro para todos, especialmente para a população. Do contrário, a quebra de expectativa pode dificultar ainda mais o processo.
Em primeiro lugar, assumem aqueles capazes de impedir que o país “queime’; Depois, chegam aqueles que sabem governar; por fim, finalmente os que representam a vontade popular.
Para mitigar as naturais dificuldades desse processo, talvez seja um bom caminho adotar medidas que tragam um benefício concreto para a grande massa jogada na pobreza. Isso permitirá um contexto no qual as mudanças necessárias sejam implementadas.
Maria Corina é a carta da legitimidade final, essencial para o reconhecimento internacional futuro. Porém, considerando o exposto até aqui, não reúne condições de assumir neste primeiro momento.
Conclusão
A história raramente começa onde gostaríamos, mas ela avança para aqueles que sabem ler o tabuleiro.
Negociar a paz e a transição não é um ato de submissão, mas de paciência estratégica. Como costumo dizer: “O caminho para o ‘Sim’ passa por um labirinto de ‘Nãos’ e de compromissos difíceis.
Agora me diga: você está preparado para conduzir essa jornada?
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